
A espécie humana é uma raça sempre a descambar para situações de violência e de desordem social. Desde o início da raça humana que o próprio homem não se consegue dar bem consigo próprio. Os valores ao longo dos tempos têm mudado e muito. Esta mudança tem a ver com a globalização, a informação dos mass-media etc… Fala-se de hierarquia de valores, e ela realmente existe, mas a hierarquia de um povo não é igual à de outros povos. O que para mim pode ser um valor superior não quer dizer que para outro povo também seja superior mas possa ser inferior. Mas dentro do mesmo povo um dos casos que me apaixonou ultimamente, foi o caso do avião que se despenhou nos Andes. É um dos casos que me deixa perplexo, os passageiros na sua totalidade, pessoas que com uma cultura acima da média, mas dia após dia com a fome sentiram a necessidade de praticar o canibalismo. Ainda hoje ao fim de tantos anos não se consegue arranjar explicação para tal facto. Não será este um caso em que estamos na presença de um dilema moral?
Na Índia a mulher é vista como uma mercadoria. Os casamentos são tratados ou contractos comerciais em que o marido exige um dote e pode pedir cada vez mais, usando como ameaça devolver a esposa à casa dos pais. Estes não a querendo receber, pois é vista como um “peso” em sua casa, cedem às exigências do genro. Este tipo de valor cultural tende a cair
Crimes de honra sempre os houve e ainda os há, ainda recentemente em Itália um Paquistanês assassinou a sua própria filha porque namorava com um Italiano e como ele já tinha prometido a sua filha a um primo no Paquistão, perante tal facto, a sua desobediência só podia ser punida com a morte. Mesmo neste caso continua-se a desprezar as leis do país de acolhimento em nome dos valores culturais e sociais do seu povo. Além de desprezar as leis do país de acolhimento estas tradições põem em causa valores éticos, como o direito à vida.
As mutilações genitais são práticas correntes, nos países Árabes e também nos Hebreus tanto em homens como nas mulheres, o que é mais doloroso para elas, são práticas milenares. Espero que com o decorrer dos anos, que todos estes costumes caiam em desuso.
No antigo Egipto era prática corrente o arquitecto, ser sepultado juntamente com o Faraó. Mas na época era uma honra para o mesmo, mas na minha opinião não seria bem isso, mas sim o segredo da sua construção ser também sepultado.
Ao repararmos na realidade, o que vemos? Vários tipos de direitos há muito conquistados que são, postos em causa, em nome de outros valores que vitimam os mais fracos. Na minha opinião os valores éticos devem sempre sobrepor aos valores culturais.

Há costumes bárbaros em todo o mundo, nós também os temos, talvez de uma maneira diferente, deixamos morrer crianças à fome, pessoas idosas a viverem em casos extremos, outros a viverem na rua e nada fazemos para que tal não aconteça. Estamos tão habituados à realidade que já nem reconhecemos o que ela tem de imoral, de absurdo. Vivemos como se fosse natural o estado de coisas existentes. Enquanto desfila perante nós a ostentação de vergonhosas riquezas, que a poucos atinge, ao mesmo tempo que se atira para o limiar da pobreza um número cada vez mais significativo de pessoas. Comparemos, por exemplo, o salário mínimo nacional com as fortunas que muitos gestores, e não só, auferem mensalmente! Pois não vale a pena, não é.
Calamo-nos e resignamo-nos à vida, tal como ela se nos impõe. Talvez valesse a pena observar atentamente os vários tipos de fenómenos sociais, políticos e económicos numa perspectiva crítica. E daí retirar as devidas consequências.
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